domingo, 18 de outubro de 2009

Um pouco mais de mim...

Caros leitores, há quase um mês não posto nada de novo em meu blog. Recebi alguns e-mails questionando o motivo de minha ausência no mundo virtual, nesta postagem, quero “justificar” a minha ausência, e partilhar um pouco do que tenho vivido nestes tempos.
Tenho vivido um momento de profunda intimidade comigo mesmo, questionando antigos valores, velhos hábitos, costumes etc. Tudo começou em um retiro espiritual que participei com as catequistas da paróquia de Santo Antão, no Santuário da Divina Misericórdia, com o Padre Adilson, em Arcoverde.
Ainda no começo do dia, uma serva da Obra da Divina Misericórdia pediu que me apresentassem a ela, justificando que se perguntasse diretamente a mim quem sou, eu não responderia o que ela queria saber. Enfim, uma catequista me apresentou como um “braço forte” da catequese, que sempre atendia aos pedidos de socorro da mesma, organizando retiros com os catequizandos etc. além de ser um jovem atuante na paróquia, em diversas pastorais e tal... essas coisas que não me sinto muito à vontade em ouvir. Logo depois, chegando o Padre Adilson, que pregaria nosso retiro, fomos à trilha, onde meditaríamos sobre a catequese enquanto estávamos recitando o Terço da Misericórdia. Ainda na frente do Santuário, o padre fez uma pausa na reflexão e olhando pra mim pediu novamente que me apresentassem.
Aí começaram os meus questionamentos desse mês: Ao me abraçar, Padre Adilson me disse: “Vejo muitas mãos estendidas para você. São almas sedentas de Deus! Coragem!”. Aquelas palavras me desconcertaram, e ainda provocaram choro de algumas catequistas. Enfim... passou o dia. Em alguns momentos, ainda durante o encontro, o Padre se dirigiu a mim com algumas palavras de profecia sobre missão etc. A pergunta é: Estou pronto?
O tempo passou. Ainda esse mês, pude participar de alguns encontros: F-1, Assembléia Paroquial de Santo Antão, EJC de Nossa Senhora dos Impossíveis, pós encontros do EJC, Encontro de Namorados com a Pastoral Familiar... entre outros, que fui enviado em missão para falar d’Ele.
Desde que vim para Vitória, passei a comungar todos os dias, o que tem me dado uma força nunca antes sentida, porém, junto com ela vieram os fortes atentados do mal. Primeiro quis atacar meus sentidos, e não permitir que eu me concentrasse em oração, ouvindo com detalhes tudo o que estava ao meu redor. Hoje, estou sendo atormentado por um ativismo religioso. Durante as Missas, tenho me pego pensando em próximos encontros, como executá-los,novidades a serem incorporadas... Num olhar desatento, qualquer um diria que se trata de inspiração divina, afinal, todas essas coisas me vieram em pensamento durante a Celebração Eucarística... isso se eu estivesse participando bem da celebração, mas não estava.
Fiz a opção de me afastar da internet por uns tempos. Precisava me dedicar a outras atividades, a mim mesmo também. Preciso redescobrir a minha essência. Tenho me dedicado mais à leitura, à oração. Estou procurando escutar mais a Deus, ficar mais com Ele, me apaixonar cada dia mais por Ele.
Neste feriadão do dia das crianças, viajei com a família para Tamandaré. No domingo, fui à Igreja participar da Adoração ao Santíssimo e acabei conduzindo aquele momento com a comunidade. Ao chegar em casa, ouvi que isso só aconteceu porque eu estava “vestido de padre”, com uma roupa preta, que por sinal eu sempre usei, e uma cruz peitoral. Isso aumentou os meus questionamentos: Estar apaixonado por Jesus implica ser diferente fisicamente? Creio que não, mas é inevitável que alguém assim seja diferente entre os demais mesmo não carregando em si nenhum sinal. Ainda pensei em deixar de usar a cruz, ou mesmo de sair de casa levando o breviário pra Celebração, mas não farei isso. Não preciso disso.
Ontem à noite, estava na Missa, adorando o Senhor na Capela do Santíssimo, pois já havia participado da Celebração à Tarde. Na hora da Comunhão, saí da capela para comungar, e esqueci de calçar as sandálias, que ficaram lá onde estava rezando. As pessoas olhavam pra mim e para meus pés de forma irônica ou indiferente. Me senti mal por estar chamando atenção daquela forma, não era minha intenção. Logo percebi que novamente estava pensando em satisfazer as pessoas e ignorei aqueles pensamentos.
Enfim, em tudo que tenho vivido nesses últimos tempos, tenho questionado sobre o real motivo de estar fazendo: Será que estou seguindo a Deus ou às Suas obras? Será que tenho feito tudo por mim mesmo, pelo próximo ou verdadeiramente por Deus? Uma só certeza eu tenho: a cada dia que passa eu me sinto mais e mais apaixonado por esse Deus que me amou primeiro, e me escolheu mesmo sendo tão fraco, falho e miserável. Ele quis fazer brotar lindos jardins na terra seca do meu coração, brotando vida onde antes só havia morte.

Quero um dia, enfim, poder dizer que o meu viver é Cristo, já não sou eu quem vivo, mas Cristo que vive em mim, que minha vida está escondida com Cristo, em Deus. Enquanto não sou digno de dizer essas coisas: “Vou sofrendo, mas seguindo enquanto tantos não entendem. Vou cantando minha história, profetizando que eu posso, tudo posso em Jesus!”
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Forte abraço a todos, paz e bem da parte de Deus!
Contem com minhas humildes orações.

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